Reflexões sobre Identidade e Ambiente Construído

Tiago do Vale

arquiteto

In Revista TER 51

Nascido em Ponte de Lima a 4 de agosto de 1978, Tiago do Vale é um dos mais reconhecidos nomes da arquitetura contemporânea portuguesa. Licenciado em Arquitetura pela Universidade de Coimbra, onde foi senador e membro da Assembleia da Universidade, e Doutorado em Estudos Avançados em Património Arquitetónico pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, já foi na sua breve carreira premiado e distinguido em concursos nacionais e internacionais.

De entre os prémios que recebeu, destacam-se o DNA Paris Design Awards 2020, o American Architecture Prize 2017, o A+ Awards 2015, o Building of the Year Awards 2014 e o Loop Design Awards 2022.

Também recebeu menções honrosas no Global Architecture & Design Awards 2018 e no Prémio do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (em 2014). Foi finalista dos Prémios COAG de Arquitectura 2017, em Espanha, e ficou em terceiro lugar nos International Design Awards 2021 e no American Architecture Prize 2016.

Tem um atelier de arquitetura em Braga, fundado em 2008, que ficou este ano entre as sete melhores de Portugal pela revista Architizer, uma das prestigiadas da arquitetura internacional.

Foi jurado em concursos nacionais e internacionais, como por exemplo, o Prémio João de Almada (2016 e 2017), em representação da Ordem dos Arquitetos, e o DAS Awards 2016, na Moldávia. É um dos jurados da edição deste ano do concurso internacional de design e arquitetura MUSE Design Awards. Entre 2015 e 2017, foi curador do Mesturas: Encontros Internacionais de Arquitectura Galiza-Portugal.

Para além do reconhecido trabalho a nível nacional e internacional, Tiago do Vale escreveu artigos e proferiu conferências sobre arquitetura, planeamento urbano e reabilitação em várias publicações de prestígio.

Entre o seu trabalho publicado, sublinha-se a edição do livro “Urban Complex”, da Design Media Publishing, que teve uma edição em chinês pela Liaoning Science and Technology Publishing House.

A lendária Ada Louise Huxtable, crítica de Arquitetura no The New York Times, insistiu sempre que a Arquitetura é uma arte (e também mais do que uma arte) da qual toda a sociedade merece desfrutar, convicta de que um ambiente corretamente desenhado é uma necessidade crucial e um direito humano básico.

O mundo construído, de facto, não é (ao contrário do que acontece com outras artes) facultativo: podemos optar por assistir a um concerto ou por entrar numa galeria, mas a construção envolve-nos sempre e em todos os momentos. Mesmo quando é de iniciativa privada, a construção traduz-se num bem público que desenha os lugares onde a vida se desenrola, com um impacto profundo na nossa qualidade de vida, nas nossas emoções, na nossa saúde, no nosso espírito e na perceção de que temos de nós próprios. Molda a nossa vida e as escolhas que fazemos, todos os dias.

Os indivíduos não são atores racionais na sua relação com os espaços, deixando por responder uma questão central (que ninguém coloca): como é que o desenho afeta as pessoas? Raramente nos apercebemos de quão extensivos são os efeitos do desenho no nosso bem-estar como indivíduos e como sociedade.

Louis Kahn passou a sua vida demonstrando o poderoso efeito que o desenho do ambiente construído tinha sobre a vida das pessoas. Dizia: “Se olharmos para os Banhos de Caracalla… todos sabemos que é possível banhar-nos tão perfeitamente sob um teto de dois metros e meio como sob um de quarenta e cinco metros, mas há algo acerca de um teto de quarenta e cinco metros que faz de um homem um tipo diferente de homem”.

Winston Churchill, depois da destruição alemã da Câmara dos Comuns no Parlamento de Londres, apelou aos parlamentares britânicos para que votassem a favor da reconstrução da câmara na sua forma retangular original, com duas longas bancadas frente a frente, simbolicamente representando o sistema bipartidário que, acreditava, constituía a espinha dorsal da democracia parlamentar Britânica. “Damos forma aos edifícios e, em seguida, eles dão-nos forma a nós”, declarou.

De facto, as cidades dão forma aos povos, e o tema das suas identidades e da sua silenciosa (mas explosiva) evaporação tem estado muito presente no dia-a-dia da prática profissional da arquitetura (e na reflexão a que a mesma obriga).

Evolução do Urbanismo

O urbanismo existe desde que o Homem cristalizou a sua natureza social, motivando o aparecimento das primeiras cidades e de uma organização consciente dos espaços a habitar.

Desde a antiguidade que templos, teatros, estádios, coliseus ou outras construções públicas monumentais atraíam multidões e definiam a identidade de culturas e de sociedades. A arquitetura era a expressão de um lugar, de um tempo e das suas gentes, e esses lugares, tempos e gentes sobrevivem no nosso imaginário, até hoje, em qualquer cidade histórica.

Recuando um par de séculos fazer cidade não parecia ser um problema: as cidades combinavam domesticidade e monumentalidade com naturalidade, aperfeiçoando tipologias próprias, procurando enfiamentos, pontos focais, controlado a sua topografia particular com grande sabedoria e com grandes esforços de engenharia, produzindo experiências urbanas únicas e suas.

Os alinhamentos das ruas, os vazios das praças e os espaços verdes desenhavam um mapa de ligações cruzadas que constituíam o tecido urbano. Os sólidos dos edifícios impregnavam cada lugar de caráter e os vazios comunicavam e interligavam a rede de cada cidade, e toda esta organização de espaços e funções concorria para um objetivo comum: o bem-estar e a qualidade de vida de uma comunidade.

Não se quer dizer com isso que era, naturalmente, um exercício simples ou fácil: exigia uma grande capacidade criativa, económica e social, mas a verdade é que se produziram consistentemente excelentes exemplos de urbanismo em todos os continentes, em todas as épocas e sob todos os tipos de regime político.

Perda de Identidade Urbana: Expansão e Especialização

O meio urbano é uma realidade de enorme riqueza, onde todas as interconexões sociais, culturais, políticas, económicas, materiais e espirituais que definem a civilização acontecem.

O “Urbanismo” como área disciplinar só aparece no século XX, coincidindo com parte da génese do problema da Identidade Urbana contemporânea.

Até meados do século XX, as funções da cidade e a sua construção articulavam-se de maneira espacialmente contínua e em complementaridade funcional, e o tempo encarregar-se-ia de resolver qualquer erro de desenho urbano.

As cidades cresceram porque vida urbana apresenta qualidades difíceis de rebater. Não existe civilização sem cidade, sem encontro de mentes, sem cruzamento de ideias.

A confusão e a fricção entre pessoas geram espaços ruidosos e criativos, lugares onde o inesperado acontece, onde experienciamos a diferença.

Esta simbiose social natural entrou em extinção. Numa fase de crescimento sem precedentes, as cidades explodem em direção à periferia: as indústrias eminentemente urbanas entram em declínio, o território fragmenta-se e degrada-se, a exclusão social agrava-se, os centros esvaziam-se num monofuncionalismo terciário, e as cidades colapsam.

O novo urbanismo, desenhado pelas forças da comercialização do território, não produz “lugares”: produz vazios entre edifícios, concebidos como peças singulares sem uma estratégia urbana profunda que os conforme. …E (como vemos na nossa periferia) a mera soma de edifícios não faz cidade.

O subúrbio (onde nada de substância acontece) não é a resposta para a necessidade que a maior parte de nós sente de viver em comunidade. A eliminação da identidade, a uniformização, o esvaziamento da ideia de cidade como espaço público partilhado, leva à extinção da cultura.

O problema desta periferização persiste, deixando sectores da cidade abandonados, segregando usos, diminuindo a qualidade de vida e dissolvendo qualquer sentido de comunidade.

Poderá haver cidade com Identidade se não há identificação por parte da sua comunidade?

Perda de Identidade Urbana: Reconhecimento do Valor Identitário da Construção

O conceito de Identidade Urbana é extremamente complexo, com fronteiras latas, tocando dimensões culturais, sociais, económicas e espaciais, mas é um ponto-chave do meio urbano.

Pertencer a um lugar ou sentir que vimos de um lugar são expressões centrais de como nos definimos como indivíduos e como parte de uma comunidade.

Não há muito tempo era claro que no Minho havia espigueiros em granito, na Costa Nova palheiros de madeira pintada, casas burguesas estreitas e profundas no Porto, monólitos dispersos e caiados no Alentejo…

Cada cidade e cada território respondia a propósitos distintos, condições próprias e funções únicas no contexto país. Formas de construir, necessidades, potenciais, materiais e culturas locais diferentes que produziram lugares igualmente diferentes.

Infelizmente, desde meados do século XX, as pressões para a transformação foram arrasadoras, resultando na construção de cidades idênticas no Minho ou no Algarve, forçando uma uniformização empobrecida, com os mesmos prédios de apartamentos, as mesmas grandes superfícies comerciais, os mesmos quarteirões.

No centro de Olhão já quase não se veem edifícios “cubistas”.

Quem pensa no Algarve pensa em casas brancas, com terraços escondidos atrás de platibandas coloridas, no entanto a cidade de Olhão oferece um fenómeno arquitetónico muito diferente e único (no Algarve e no mundo) alimentado pelas trocas culturais com o lado de lá do mediterrâneo.

Ao contrário das casas algarvias tradicionais, rematadas por um terraço, estas casas “cubistas” encimam o terraço com uma segunda divisão (o mirante) e por vezes até mesmo com uma terceira (o contramirante) buscando linhas de visão para o mar e criando espetaculares formas piramidais sem paralelo.

Há alguns anos atrás um autarca local declarou que Olhão não tinha património: foi no seguimento dessa lógica que se fizeram essas demolições, viabilizando a edificação de mais prédios de apartamentos indiscriminados no coração da cidade.

É presente, também, a demolição, em 2012, da capela de Chãs em Regueira de Pontes: centenária, remontando ao século XVI, foi considerada um “mono” e um “estorvo” pela paróquia, cortando as vistas ao templo que (independentemente do transitório mérito próprio que lhe possam reconhecer) descerimoniosamente tinha recém-edificado nas suas traseiras.

Estes casos não são isolados: o volume destes atentados culturais banaliza-os. Vamos testemunhando a perda de identidade das cidades (especialmente das cidades do mundo que se crê desenvolvido) deixando-as vazias de significado e sem lugar nos nossos imaginários.

Não há dúvidas de que a noção de perda cultural já é sentida: muitas cidades já se debatem com uma tentativa inglória de redescobrir a sua identidade através de um regresso simulado ao “retro”, ao “rústico”, ao “pitoresco”, pensando não na sua população mas no turista.

Perda de Identidade Urbana: Problema da Singularidade

Os edifícios históricos são a assinatura de um contexto urbano. Mas importa não esquecer que a expansão da oferta cultural ou de equipamentos contemporâneos qualificados de uma cidade ou região terá de ser essencialmente feita pela arquitetura de hoje. O cuidado com a construção contemporânea conformará a paisagem, os ambientes vividos e a perceção que temos daquilo que nos rodeia. No que diz respeito ao património arquitetónico, o contexto em que este se insere é tão importante como o objeto patrimonial em si.

O ambiente construído, no seu papel de capital urbano, deve ser elemento integral do planeamento das cidades, tanto nas considerações da conservação do património como nas questões da construção contemporânea.

A arquitetura (tanto a do passado como a de hoje), como cenário e parte integral de uma cultura, é uma marca estratégica que define a identidade das cidades, dos países, das sociedades e das culturas. Viabilizar boa arquitetura promove não só o desenvolvimento económico e social mas é um produto em si mesmo, um símbolo com alcance global.

Se até à década passada a base do turismo cultural e arquitetónico constituía-se no património histórico e nos monumentos, hoje a arquitetura moderna e contemporânea de qualidade começa a apresentar o mesmo poder de atração: é fácil pensar nos casos mais recentes do Dubai ou no fenómeno de Bilbao mas já era verdade para obras excecionais do modernismo -como a Ópera de Sidney, que acabou por representar não só a cidade mas todo o país (e por contribuir para a economia de Sidney com mais de 400 milhões de euros por ano provenientes de visitantes).

A cidade, no entanto, não pode ser feita só se singularidades. É norma encontrar, hoje, edificação desenhada especificamente com a finalidade de se apresentar como peça excecional.

Conversava recentemente com Sasikala Rajeswaran, jornalista de arquitetura Indiana, que com esta pergunta revelou, sem querer, uma das mais pertinentes fragilidades da cultura arquitetónica corrente: “Dotar cada novo projeto de novidade e de singularidade é um desígnio dificílimo: como é que o superam?”

A pergunta não é surpreendente: desde as escolas (onde a ideia e a singularidade se sobrepõem frequentemente à eficácia, à execução e à integração) até à mediatização da arquitetura (assente na imagem imediata, no simplismo conceptual e na fabricação de starchitects como figuras heroicas) há a construção de uma cultura arquitetónica superficial, assente na surpresa, nas modas, na arbitrariedade e nos gimmicks.

Infelizmente a obra construída é invariavelmente mais perene do que as modas ou do que a surpresa efémera de um truque arquitetónico. O resultado, quando o edifício esgota esses seus únicos argumentos, é um enorme bibelot que a cidade suportará por décadas a fio.

É, também, uma pobre forma de fazer cidade: como se pode gerar um contínuo urbano, com uma identidade comum e uma imagem reconhecível, se todos os edifícios tentam ser uma exceção?

O bom urbanismo tem de ser desenhado com critérios mais profundos e mais capazes de sobreviver à passagem do tempo, atentos à envolvente e que com ela estabeleçam relações de harmonia e dependência, experiências arquitetónicas dedicadas ao uso e a quem usa, estéticas apoiadas em valores permanentes como a ordem, o ritmo, a escala e a proporção do sítio, materiais que envelhecem com dignidade e que pertencem ao lugar…

Falamos de uma conceção urbana que, no fundo, aprenda algo do contínuo de construção que chega até aos dias de hoje, cheio de exemplos altamente qualificados, e que não tente reinventar a arte a cada segundo.

Winy Maas, do mítico estúdio holandês MVRDV, publicou recentemente “Copy Paste”, um livro em que defende que a cultura da singularidade está a prejudicar a inovação em arquitetura.

Ao contrário da ciência, que progride desenvolvendo-se sobre conclusões anteriores, a arquitectura tem recusado reconhecer e construir sobre os ensinamentos do passado. “Hoje treinamos os nossos arquitetos para serem originais […] o que parcialmente é correto, mas penso que noventa por cento do ambiente construído não é acerca da originalidade”, defende.

Esta obsessão pela singularidade tem destruído a identidade das cidades com um conjunto de construções profundamente antiurbanas, cada uma gritando mais alto do que a outra, abafando ideias melhores e mais sustentáveis a longo prazo.

Será a má originalidade (rematando com uma pergunta de Phineas Harper) realmente melhor do que uma boa reprodução?

Conclusão

A ideia de reconstruir a identidade de uma cidade alicerça-se em reforçar a sua capacidade de se auto-organizar e de transformar uma comunidade inativa, segregada por barreiras físicas, económicas ou sociais e sem uma identificação com o território, numa totalmente nova, capaz de se mobilizar a si mesma através de projetos coletivos que procurem o seu próprio desenvolvimento.

É importante que esta identidade seja cosmopolita, misturando o local com o global, mas sublinhando a importância do património e da herança única de cada cidade. Todas as cidades de sucesso têm um forte sentido de identidade, assente na criação de “lugares” e em tirar o máximo partido das suas características, circunstâncias e história particulares, por um lado, e de uma vida cultural contemporânea e globalizada, pelo outro.

Mas é central, no entanto, fugir da uniformização da globalização, valorizando a diversidade e diferença mas recuperando e reinventando a história e a cultura locais. Como dizia Emília Viotti da Costa, um povo sem memória é um povo sem história.

Isto é verdade desde a escala do território até à escala do mais pequeno detalhe do edificado.

“Eis o paradoxo: como ser moderno e regressar às origens; como reviver uma cultura antiga, dormente, e participar com ela numa civilização universal.”

Kenneth Frampton articulou em 1983, em parte sobre estas ideias de Paul Ricœur, o conceito de “Regionalismo Crítico,” que postulava o recurso crítico à arquitetura do Movimento Moderno, pelas suas qualidades universais e progressistas, mas mediado pelo valor do contexto geográfico local do edifício: a topografia, o clima, os ganhos solares.

Não será inocente, aqui, a forte ligação de Kenneth Frampton à arquitetura portuguesa (e à escola do Porto em particular). Embora não expressa desta forma exata, a ideia de um “moderno regional” (rejeitando o universalismo sistémico do Movimento Moderno) começou a ser explorado nos anos 50 à volta de dois polos: no Sri Lanka pela mão de Minnette de Silva e, em, Portugal pela mão de Fernando Távora.

A ideia de “Regionalismo Crítico” de Frampton é criticável, sobretudo por não ser especialmente ambiciosa, propondo uma adaptação àquilo que continua a ser, em todos os aspetos, uma conceção do Movimento Moderno.

Serviu, mesmo assim, de ponto de partida central para o estabelecimento de teorias de regionalismo capazes de se informar de forma mais direta não só pelo contexto geográfico local mas, sobretudo, pelas tradições, pela cultura construtiva, pelas soluções vernaculares e pela cultura, no seu sentido mais lato, de cada lugar.

Portugal tem sido terreno fértil para a aplicação deste tipo de Regionalismo Crítico mas, do ponto de vista da prática profissional corrente, este posicionamento disciplinar continua a ser uma exceção.

Seja como for, a resposta ao paradoxo de Paul Ricœur é, também, uma resposta ao problema da Identidade na cidade.

A preservação da identidade local, da riqueza material e intangível de cada lugar, respeitando e celebrando as suas especificidades é, não só, um meio de resistência à uniformização global, valorizando a diversidade, a autenticidade e o legado local, mas é, também, a abordagem própria para uma arquitetura e um urbanismo sustentáveis.

Garantir que o contínuo cultural de um lugar não é interrompido é, da mesma maneira, garantia de que a identificação de um povo com as suas raízes se prolongue e se aprofunde.

Uma identificação positiva com o nosso território torna-nos mais envolvidos com o nosso meio, fomenta a integração, mas altera também a perceção da cidade pelos outros atraindo, por exemplo, novos habitantes, mais profissionais qualificados ou mais visitantes.

Trabalhar a identidade de uma cidade pode transformá-la a níveis bastante profundos, atraindo investimento ou melhorando as condições sociais da população.

Alcançando-se estes níveis de transformação e a sua disseminação por todo o território urbano, ultrapassa-se também a inércia que a imagem negativa da cidade possa ter (a sua periferia, os dormitórios, a marginalidade, a insegurança), despoletando uma alteração progressiva da perceção da cidade pelos seus próprios habitantes e por aqueles que a veem de fora.

Valência, Bilbau ou Nice são exemplos próximos do profundo impacto transformador de uma estratégia global certeira para a cidade e para a sua identidade.

Reabilitar a identidade de uma cidade não é, portanto, apenas acerca de recuperar o seu passado mas é, também, até certo ponto, acerca de determinar o seu futuro.