Nascido em Vizela em 1987, Luís Carvalho tem já uma carreira notável no design de moda. Licenciado em Design de Moda e Têxtil pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco, o estilista já trabalhou de perto com estilistas de renome, como Filipe Faísca e Ricardo Preto, e foi designer da marca de roupa Salsa Jeans.
O trabalho de Luís Carvalho já foi galardoado em concursos de moda. Em 2016 foi distinguido pela revista GQ com o prémio “GQ Men of The Year” na categoria de designer de moda, e em 2018 e 2019 foi um dos designers premiados no “Maison Mode Mediterranée Prize”, em Marselha. Foi por várias vezes distinguido com o Globo de Ouro de melhor estilista nacional.
Para além das distinções, tem marcado presença em desfiles de moda nacionais e internacionais. Tem tido uma presença constante na Lisboa Fashion Week e já esteve presente em desfiles de moda internacionais, como o Showfloor Berlim em 2014.
TER – Quando começou a tua paixão pela moda?
Enquanto criança cresci no meio da empresa da minha mãe, uma confeção de vestuário, não sei se o facto de viver nesse meio me influenciou de alguma forma a ter uma especial atenção à moda, o certo é que sempre apreciei roupa e o seu processo de construção. Este interesse foi crescendo ao longo dos anos, mas quando tive que decidir quais os estudos a seguir é que me decidi pelo caminho da moda de forma profissional.
TER – Como te caracterizas enquanto designer?
Caracterizo-me como um designer atento aos detalhes, apaixonado pela qualidade e inovação. Procuro sempre uma fusão entre o clássico e o contemporâneo, de forma a criar peças que sejam sofisticadas e intemporais.
TER – Quais os designers que te influenciaram mais?
Raf Simons, Albert Elbaz, Miuccia Prada, Pierpaolo Piccioli, Filipe Faísca…
TER – O que te levou a criar, em 2013, a tua própria marca de roupa – a Luís Carvalho?
Desde que decidi que ia seguir o caminho da moda, sempre quis ter a minha própria marca, mas só depois de ter passado pelas diferentes experiências e vertentes profissionais da área, a indústria e atelier, é que senti que tinha o know-how suficiente e que estava na altura certa para começar a minha marca.
TER – Acreditas que o facto de estar localizada em Vizela traz consigo algo de diferente relativamente a outras marcas?
Diria que sim. Estar em Vizela foi uma escolha estratégica, porque sou natural de cá, porque tenho um público/clientes mais específico, também por uma questão económica. Acredito que trabalhar onde cresci tem um grande acréscimo e influência na minha criatividade, bem como na criação dos conceitos de cada coleção.
TER – Continuas, portanto, ligado à tua terra…
Sim, eu sou natural de cá e continuo a viver aqui.
TER – Essa ligação influencia em algum aspeto o teu estilo e a tua identidade?
De alguma forma sim, no processo criativo ou rotina de trabalho. Mas, na questão da identidade, penso que não tão diretamente, eu viajo muito dentro e fora de Portugal, portanto sou influenciado um bocadinho por tudo, mas sempre com a minha estética já criada e estabelecida.
TER – Passados mais de 10 anos, que balanço fazes deste projeto?
Ao longo dos últimos dez anos, sinto que houve um crescimento significativo, tanto a nível profissional como pessoal. Há sempre desafios, mas a evolução e o reconhecimento que obtive até agora são gratificantes.
TER – Sobre os prémios, sentes que são o reconhecimento do trabalho realizado até hoje?
São, sem dúvida, importantes, principalmente no país em que vivemos. Conquistar ou estar nomeado para estes prémios ajuda-me a alcançar mais público e a dar a conhecer o meu trabalho.
TER – Consideras que os estilos que foste desenvolvendo são reflexo de quem és e do que experienciaste?
Sem dúvida. Todas as minhas criações refletem as minhas experiências de vida, as influências culturais e pessoais que fui absorvendo ao longo do tempo. Cada coleção traz um pouco do meu caminho, acabam por ser uma extensão da minha identidade e do meu percurso feito até agora.





