“Inteligência Artificial nos Negócios Digitais: O Futuro das PME”

Vítor Brandão

especialista em negócios digitais/CEO Drible

In Revista TER 53

A Inteligência Artificial (IA) está a transformar radicalmente os negócios digitais, especialmente no contexto das Pequenas e Médias Empresas (PME) em Portugal. Com as PME a representarem mais de 99% das empresas no país, estas enfrentam desafios específicos, como a escassez de recursos e a dificuldade de competir com grandes players do mercado, o que torna a adaptação à IA não apenas uma necessidade, mas também um desafio.”

Numa fase inicial, muitas PME enfrentam desafios de sobrevivência e de validação dos seus produtos ou serviços, com margens de lucro são muitas vezes apertadas, fazendo com que a adoção de tecnologia avançada, como a IA, possa parecer um luxo. No entanto, a IA nunca pode ser vista como uma ameaça ao emprego, mas como uma oportunidade de amplificar recursos humanos limitados, otimizando processos e permitindo que as empresas possam operar com maior eficiência. A IA permite que pequenas equipas possam realizar tarefas que, anteriormente, exigiam uma maior mão de obra e recursos, mas com uma eficiência muito superior.

Um exemplo claro disso é a utilização de plataformas como o ChatGPT, que permite a criação de conteúdos complexos – como imagens e textos – de forma simples e acessível. Com esta tecnologia, qualquer pessoa, mesmo sem grandes conhecimentos técnicos, consegue criar material digital de alta qualidade, como flyers, campanhas e até artigos completos, tudo em questão de minutos.

No setor dos serviços, onde a rapidez e o impacto das ações são cruciais, a IA possibilita a execução de tarefas demoradas em tempo recorde, sem comprometer a qualidade. Um exemplo claro disso é a criação de um flyer. Quando seria necessário um dia inteiro de trabalho para criar e finalizar uma campanha, hoje, com a ajuda da IA, esse processo pode ser reduzido a poucas horas, ou até minutos, sem comprometer o impacto visual ou a eficácia da comunicação.

Além disso, a IA abre portas a novas formas de inovação e personalização. As empresas podem agora oferecer soluções mais customizadas aos seus clientes, desenvolvendo produtos e serviços que atendem melhor às suas necessidades específicas. A tecnologia não substitui postos de trabalho, mas torna os colaboradores mais produtivos, permitindo-lhes focar no que realmente importa: a inovação e o crescimento estratégico.

No entanto, a verdadeira transformação ocorre quando as empresas atingem uma fase em que estão preparadas para investir mais recursos em tecnologia. O ciclo de adoção da IA nas PME segue uma progressão natural: primeiro, as empresas precisam de garantir a sua sobrevivência, depois, validam os seus produtos ou serviços no mercado. E, finalmente, com uma base sólida, podem então investir fortemente em tecnologia, como a IA, para maximizar os seus recursos e melhorar a competitividade.

Em suma, a IA está a permitir que as PME em Portugal enfrentem os desafios do mercado global de forma mais eficiente e eficaz. Ao invés de olharem para a IA como uma ameaça ao emprego, as empresas devem encará-la como uma ferramenta que potencializa as suas equipas, cria novos modelos de negócio e impulsiona a inovação, garantindo um futuro mais competitivo e sustentável no universo digital.