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EPATV promove diálogo intercultural através da iniciativa «Biblioteca Humana»

EPATV promove diálogo intercultural através da iniciativa «Biblioteca Humana»

A Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV), em parceria com o Projeto FAMI2030-FAMI-01429500, promovido pelo Município de Vila Verde, juntou, no dia 27 de outubro, algumas dezenas de alunos estrangeiros numa iniciativa designada “Biblioteca Humana – Uma Vida, Mil Histórias”. A iniciativa visou promover o diálogo intercultural, potenciando o encontro dos educandos com duas pessoas imigrantes adultas.

O grande objetivo da Biblioteca Humana era claro: os livros são as pessoas. E as pessoas contam as suas histórias. É um livro narrado, de uma forma muito mais poética, com histórias marcantes, de gente real, que andou muito para poder contar na primeira pessoa o que é ser imigrante muito (mas mesmo muito) longe do seu país de origem.

Cá pela EPATV também temos alunos estrangeiros. Vindos do Brasil, da Argentina ou da Venezuela. Além da presença sul americana, as duas convidadas de hoje trouxeram ares de outros dois continentes: Nao Nishimura, originária do Japão, e Nana Yeboah Cardoso, que nasceu no Gana. Elas foram os livros falados de hoje.

“Quando foi a última vez que chegaram a um sítio e não conheciam ninguém?”, ou “alguma vez não perceberam uma palavra e tiveram de perguntar ou procurar saber o seu significado?”, são perguntas normais, mas que acontecem com regularidade a quem escolhe outro país para ser feliz.

Nao Nishimura chegou a Portugal com sete animais de estimação e um filho, depois de duas décadas ligadas ao ensino da Osteopatia nos Estados Unidos da América. Nascida em Tóquio, vai teimando para “arranhar” o seu melhor português. Contou um pouco do que passou, sempre com um sorriso tímido e simpático, ao jeito nipónico. Diz que é feliz e que escolheu Vila Verde pela tranquilidade.

Nana, mais faladora e com um português quase nativo, passou pela África do Sul e por Angola antes de encontrar assento por aqui. Oriunda de Acra, capital do Gana, e orgulhosamente pertencente aos Axânti (grupo étnico, comummente designado por “tribo”), chegou com quatro filhos e com uma história digna de registo. Aos 15 parte para a Cidade do Cabo para conhecer a mãe, largando os estudos. Mais tarde, em 2013, acompanha o parceiro (agora marido) à sua terra natal, Angola.

Falou sobre o choque cultural, a diferença da língua (Gana é ex colónia inglesa), dos hábitos e dos costumes. Em 2023 muda-se para Portugal e chega a Vila Verde apenas com um teto que não tinha, à data, água nem luz. “Tenho várias histórias que poderia contar”, disse, rindo. É fácil perceber que nem todos os dias foram fáceis, mas Nana confirma que se sente bem e foi bem acolhida por aqui.

O encontro serviu não só para trocar experiências de vida, mas sobretudo para perceber que ninguém está sozinho, o mundo é grande e que Vila Verde continua de braços abertos para receber quem procura a sorte de viver em paz.