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AQUI HÁ CULTURA! apresenta a obra “Carlos Paredes – a guitarra de um povo”

AQUI HÁ CULTURA! apresenta a obra “Carlos Paredes – a guitarra de um povo”

A Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela, em Vila Verde, recebeu, no dia 11 de abril, a apresentação da obra Carlos Paredes – A Guitarra de um Povo, integrada no projeto AQUI HÁ CULTURA!

A sessão teve início com a leitura de um texto de Vergílio Ferreira sobre Carlos Paredes por Manuela Barreto. De seguida, o moderador do encontro, Arnaldo Varela de Sousa, partilhou uma história pessoal na qual o músico esteve presente, criando um ambiente emotivo e intimista.

O livro, da autoria de Octávio Fonseca e com edição da Tradisom, celebra o centenário do nascimento de Carlos Paredes. A apresentação começou com José Moças, editor da obra, que falou sobre o processo de criação do livro e descreveu o músico como “inacreditável”. Referiu que Carlos Paredes “nunca se dedicou totalmente à música, trabalhou sempre no hospital”, o que tornava a sua dedicação e talento ainda mais notáveis. Destacou, também, que a obra teve uma grande adesão e que, atualmente, se encontra esgotada, embora esteja prevista uma reedição numa versão mais curta. Aproveitou ainda para agradecer o apoio financeiro do Ministério da Cultura e, antes de passar a palavra ao autor, elogiou-o como “um dos pioneiros na autoria no mundo da música em Portugal”.

Octávio Fonseca agradeceu o convite e iniciou a sua intervenção falando de Artur Paredes, pai de Carlos Paredes, a quem atribuiu um papel fundamental na revolução da presença da guitarra portuguesa na música nacional. Sublinhou que, embora Artur Paredes fosse um músico excecional, Carlos Paredes era “de outro mundo”. Revelou que Carlos começou a compor aos 12 anos e que, nessa idade, criou o tema “Movimento Perpétuo”, o que considerou espantoso, tendo em conta a complexidade da peça.

O autor explicou os dois principais processos de criação de Carlos Paredes: o “modo canção”, em que o tema é apresentado, desenvolvido, repetido e concluído com um novo tema; e o “modo variações”, em que são justapostos vários quadros melódicos sem repetições. Para ilustrar estes métodos, José Moças reproduziu algumas das composições do músico.

Octávio Fonseca falou ainda do último disco de Carlos Paredes, gravado em 1990, num período em que a sua doença já se encontrava bastante avançada. Foi o seu último trabalho, pois nunca mais voltou a tocar. O autor considerou esse álbum “uma obra-prima” e não apenas o reflexo das limitações físicas do músico na altura.

Referiu também que, em 1970, Carlos Paredes gravou o disco Meu País com a sua companheira da época, numa tentativa de integrar temas de protesto na sua música. Uma segunda tentativa surgiu em 1975, com a suíte O Ouro e o Trigo, também ligada à música de intervenção.

Ao longo da sessão, foram ouvidos vários temas de Carlos Paredes e, no final, o público teve oportunidade de colocar questões, tornando o momento participativo e enriquecedor.

Para encerrar, João Luís Nogueira, em representação da EPATV, e Manuel Lopes, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, agradeceram a presença de todos e sublinharam a importância do projeto para o desenvolvimento cultural da comunidade vilaverdense.

Enquanto isso, na Biblioteca Professor Machado Vilela, está exposta a exposição de Fotografia “Olhares Estenopeicos” até ao dia 17 de abril.