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Henrique Monteiro encerra programação do AQUI HÁ CULTURA!

Henrique Monteiro encerra programação do AQUI HÁ CULTURA!

No dia 12 de dezembro, a Biblioteca Professor Machado Vilela, em Vila Verde, recebeu o convidado Henrique Monteiro para uma conferência sobre tolerância e democracia no âmbito do programa AQUI HÁ CULTURA!, promovido pelo Município e pela EPATV.

Henrique Monteiro, antigo diretor do jornal Expresso e do Courrier Internacional, comentador da SIC Notícias e da Rádio Renascença, uma das vozes mais respeitadas, informadas e independentes do jornalismo português, dinamizou uma conferência, em Vila Verde. A palestra foi subordinada ao tema A (re)construção de um chão comum: tolerância e democracia, uma iniciativa que encerrou a programação do AQUI HÁ CULTURA! para 2025.

A sessão abriu com Manuela Barreto Nunes, que destacou a ligação de Henrique Monteiro ao projeto, sublinhando a sua terceira participação no projeto, e anunciou a celebração dos 30 anos da biblioteca. Seguiu-se Arnaldo Varela Sousa, que agradeceu a presença do público e do conferencista, elogiando-o como “uma voz independente, tolerante e respeitada no espaço público português”.

Henrique Monteiro iniciou a intervenção com um agradecimento ao Município de Vila Verde e refletiu sobre a tolerância, tema que assumiu estudar de forma autodidata. Através de uma analogia, afirmou que a tolerância se assemelha ao bom senso: todos acreditam possuí-la, mas julgam que falta aos outros. Recorrendo à etimologia latina, explicou que tolerância significa resistência, paciência ou resignação, associando-a à capacidade de suportar o que não se pode evitar. Recordou ainda exemplos históricos que reforçam a ideia de que a tolerância não é natural, mas um exercício de resistência e convivência.

O conferencista abordou a construção histórica da tolerância, associando-a ao surgimento das regras sociais e às guerras religiosas, frequentemente ligadas à formulação moderna do conceito. Observou que a tolerância tende a ser “maior entre vizinhos do que entre estranhos”, embora os conflitos mais violentos surjam muitas vezes entre os mais próximos. Referiu também o racismo e a xenofobia como formas de intolerância frequentemente inconscientes e destacou a democracia como espaço onde a divergência pode coexistir com o consenso, exemplificando com o Parlamento inglês.

No plano político e social, analisou a tolerância como um “círculo” pessoal, cujo centro varia de indivíduo para indivíduo, defendendo que ninguém pode determinar de forma absoluta o lugar do outro. Identificou o dogmatismo como o “maior inimigo da tolerância”, sublinhando o papel da linguagem e dos conceitos na construção ou negação do diálogo. Questionou ainda se seria possível ser tolerante com os intolerantes, reconhecendo a complexidade da resposta e a necessidade de regressar sempre a um chão comum.

Na conclusão, Henrique Monteiro defendeu que a tolerância deve orientar a ação, respeitando os limites da liberdade de expressão quando esta causa dano ao outro. Enfatizou que tolerar não é ser indiferente, mas resistir ao que se discorda sem diminuir os direitos, a dignidade ou a liberdade alheia, reconhecendo que viver com o mal é parte do esforço para que prevaleça o bem. “Não podemos permitir que o direito dos outros seja diminuído pela nossa ação ou discurso porque a liberdade está nos direitos e nos deveres, devendo respeitar as crenças do outro”, sublinhou.

A sessão terminou com um momento de debate aberto, no qual os participantes tiveram a oportunidade de colocar questões, partilhar opiniões e esclarecer dúvidas relacionadas com os temas abordados. Este espaço de diálogo promoveu a troca de ideias entre o público e os intervenientes, contribuindo para uma melhor compreensão dos conteúdos apresentados e para o enriquecimento da discussão.

Nas palavras de encerramento, João Luís Nogueira, diretor da EPATV, agradeceu a todos os presentes e, especialmente, a Henrique Monteiro pela sua participação em três edições, prometendo a sua presença na próxima. Dirigiu ainda os parabéns à Presidente Júlia Fernandes por ser “tolerante a todas as propostas que a EPATV apresentou” e por ter concretizado mais uma edição de sucesso do programa cultural. Concluindo: “Hoje cantou-se um hino à Cidadania e à democracia, saímos daqui mais tolerantes.”

Júlia Fernandes, presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, agradeceu a todos e a Henrique Monteiro por encerrar “com chave de ouro” esta edição, enaltecendo o respeito que o conferencista traz ao projeto. A Presidente sublinhou o trabalho da organização e da biblioteca no enriquecimento cultural do município, afirmando que “Com todos conseguimos fazer mais cultura e chegar a mais públicos.”

A organização frisou que este foi o encerramento da edição 2025, e que o programa AQUI HÁ CULTURA! voltará melhor e mais rico em abril de 2026 com novos convidados.