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Figura e legado de Egas Moniz discutidos na Biblioteca Municipal

Figura e legado de Egas Moniz discutidos na Biblioteca Municipal

AQUI HÁ CULTURA!

A Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela foi, no dia 22 de maio, o palco da apresentação da obra “A glória efémera”, uma biografia de Egas Moniz da autoria de Paulo M. Morais.

Personagem notável e multifacetada, Egas Moniz destacou-se como médico, investigador, professor universitário, escritor e político opositor ao Estado Novo. Reconhecido internacionalmente pelo seu contributo para a ciência, foi distinguido, em 1949, com o Prémio Nobel da Medicina, pela sua descoberta da leucotomia pré-frontal que a evolução da ciência viria a tornar polémica.

Paulo M. Morais é jornalista, escritor, tradutor e editor, tendo construído uma obra reconhecida e apreciada pela sua diversidade temática e literária. A sua produção percorre áreas distintas como a ficção e a literatura infantojuvenil, estendendo-se à escrita dedicada ao cinema, ao turismo e à gastronomia.

Numa sessão moderada por Arnaldo Varela de Sousa, o autor iniciou a sua intervenção explicando de que forma surgiu a proposta para a escrita da biografia. Apesar de, numa fase inicial, ter demonstrado alguma hesitação em aceitar o desafio, acabou por abraçá-lo e dar início a um aturado trabalho de investigação.

Na obra, o autor faz referência a uma infância marcada por perdas de familiares. Entre os episódios mais marcantes, destaca-se o impacto emocional vivido no momento da sua formatura, concluída sem a presença de qualquer familiar que pudesse partilhar consigo essa conquista.

Arnaldo Varela de Sousa afirmou que “todos nós, quando pensamos em Egas Moniz, pensamos em lobotomia”, levantando a questão de saber se foi precisamente esse procedimento que contribuiu para o estigma associado ao nome do médico. Em resposta, o autor concordou com essa perspetiva, embora tenha salientado que Egas Moniz atuou de acordo com as preocupações da sociedade da época e o seu contexto científico.

Foi igualmente referido, pelo escritor, que Walter Freeman desempenhou um papel decisivo na defesa da candidatura de Egas Moniz ao Prémio Nobel da Medicina, depois de este já ter sido nomeado por cinco vezes. Paulo M. Morais acrescentou que esta distinção “não surgiu do nada”, mas constituiu antes o culminar de um percurso marcado por anos de investigação, dedicação e trabalho contínuo.

A conversa continuou em torno de outros episódios e particularidades da vida de Egas Moniz referidos na sua biografia, uma obra disponível nas livrarias para todos aqueles que desejem aprofundar o conhecimento sobre o seu legado.

A sessão encerrou com as intervenções de Liliana Nogueira, diretora pedagógica da EPATV, que destacou a relevância do AQUI HÁ CULTURA! e a imprescindibilidade da parceria com o Município, e de Manuel Lopes, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, que enalteceu o trabalho conjunto da Biblioteca Municipal e da EPATV pelo serviço prestado às populações na promoção da cultura e do conhecimento.