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Projeto inovador alia arte e inclusão no programa AQUI HÁ CULTURA! 

Projeto inovador alia arte e inclusão no programa AQUI HÁ CULTURA! 

“Um dia todas as exposições serão assim!”

No dia 3 de dezembro teve lugar, na Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela, a inauguração da exposição “Do teu ombro vejo o mundo”, uma mostra integrada no projeto AQUI HÁ CULTURA!, promovido pelo Município de Vila Verde e pela EPATV. A exposição, resultante da colaboração entre o fotógrafo João Silva, o músico cego Aliu Baiu e a designer de produto Maria João Ramos, com curadoria de Ana Luís Nogueira, Ana Gomes e Arnaldo Varela de Sousa, ficou, a partir desse momento, patente ao público.


Aliu Baiu, músico cego nascido em 1994, na Guiné-Bissau, tinha sido fotografado por João Silva num projeto desenvolvido entre finais de 2019 e setembro de 2020, centrado no quotidiano do artista. Da conjugação dessas imagens com fotografias captadas pelo próprio Aliu nasceu a exposição “Do teu ombro vejo o mundo”, apresentada pela primeira vez em Lisboa e, posteriormente, nos Encontros da Imagem, em Braga.


Esta nova apresentação da mostra, agora em Vila Verde, alcança uma dimensão inédita em termos de acessibilidade e inclusão. A intervenção de Maria João Ramos permite que várias imagens ganhem forma física, impressas em 3D, criando uma experiência tátil complementada por roteiros áudio. Assim, pessoas cegas passam a poder aceder ao universo da fotografia pelo contacto direto com os relevos tridimensionais e pela escuta das descrições sonoras, numa abordagem sensorial ampla e inovadora.


A sessão de abertura foi iniciada por Manuela Barreto Nunes, que deu as boas-vindas a todos e deixou um agradecimento especial a Ana Nogueira, sublinhando o seu trabalho excecional e incansável. Seguiu-se Arnaldo Varela de Sousa, que destacou o papel das escolas, afirmando: “Não posso deixar de dizer que a EPATV entende que é um dever das escolas, um dever até moral, assumir, para além dos currículos, uma dimensão de promoção cultural e de inclusão de que esta mostra é um bom exemplo”. Considerou, ainda, tratar-se de “uma exposição excecional” e terminou acrescentando que “no futuro, todas as exposições serão assim”!


Depois, tomou a palavra Manuel Lopes, em representação da Câmara Municipal de Vila Verde, que agradeceu o empenho da EPATV na promoção cultural do concelho. Reafirmou o compromisso municipal em continuar a dar a conhecer diferentes formas de criação artística e cultural e sublinhou que, neste caso em particular, “há uma representação inclusiva da realidade”. Referiu que esta exposição permite às pessoas cegas sentir as imagens “de uma forma que nós não sentimos”, lembrando que “os cegos também conseguem ver e nós precisamos de perceber e dar a devida importância, dando oportunidade de contactar com estas exposições culturais”.


Seguiu-se Ana Nogueira, que recordou o momento em que viu a exposição pela primeira vez, noutro espaço, e explicou que imaginara como seria estar no lugar de Aliu, o que a motivara a transformá-la em algo tridimensional. Já Maria João Ramos afirmou que o seu objetivo principal fora criar condições para que “as pessoas com deficiência visual consigam ver”.


Por sua vez, João Silva agradeceu à equipa todo o apoio e dedicação, enfatizando que, embora a exposição já tivesse passado por vários espaços, “nenhuma foi como esta”. Acrescentou: “Se eu conseguir chegar ao maior número de pessoas possível, será isso que me motiva. O mundo precisa de coisas boas, coisas positivas. Vamos tentar melhorar o mundo à nossa maneira”. Propôs, depois, transformar a inauguração numa visita guiada, convidando o público a colocar questões.


Quando chegou a vez de Aliu Baiu falar, o músico descreveu a mostra como algo profundamente especial: “No fundo, tudo o que possa trazer alguma positividade, principalmente para as pessoas com deficiência, eu estou dentro”. Recordou que tendemos a valorizar demasiado a visão, quando existem muitas outras formas de sentir e ver o mundo. Confessou que, graças aos moldes 3D, passou a ter uma perceção mais presente das fotografias, mencionando, como exemplo, a imagem em que aparece na água, que pôde finalmente “sentir” em tridimensionalidade. Manifestou ainda o desejo de que a exposição pudesse viajar para outros lugares, “para que todos possam ver”.


A inauguração terminou com uma visita guiada, durante a qual os artistas explicaram os processos de criação das imagens, salientando que nenhuma delas fora encenada, tendo todas resultado de momentos naturais do quotidiano de Aliu.


A exposição está patente até 10 de janeiro, na Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela, estando já marcadas múltiplas visitas de associações de cegos do norte de Portugal.