Esta mensagem é um convite que faço a todos, para que juntos possamos compreender melhor a nossa missão.

Existe uma EPATV visível que podemos facilmente identificar, sendo uma demonstração clara disso, a edição nº 14 da revista TER. E é com esta visibilidade transparente, que pretendemos dar a conhecer - O que fomos; O que somos; O que seremos.

Contudo, mesmo o que é visível, nem sempre os olhos de alguns alcançam...o que me leva a citar o ditado popular “ mais cego que o cego, é aquele que não quer ver”. Os edifícios, as oficinas, os laboratórios de informática, química e biologia, biblioteca, sala de estudo, salas de aula, cozinha, cantina, bar, sala dos Professores, auditório, secretaria, portaria, o site, a nossa revista, etc.; os mais de 2.800 alunos (jovens e adultos) diplomados e integrados no mercado de emprego, os mais de 5.000.000€ de orçamento, as enumeras atividades de voluntariado e de solidariedade para com os mais desprotegidos, completam uma parte visível da nossa missão, mas, apenas na base material do que necessitamos para melhorar a nossa execução.

O essencial é o invisível aos olhos. Só podemos percebe-lo com a nossa inteligência, os olhos da alma.

Alguém mais apressado, podia dizer “ ora a nossa missão é assistir às aulas, estudar, aprender uma profissão e ponto final” esta descrição sumária não me satisfaz, pois não revela o essencial.

Não somos robôs, que alguém possa programar para o desempenho de uma função (profissão) e se alguém por engano, se comportar como tal, é bom saber que, mesmo antes de terminar o seu curso, a sua programação inicial já estará superada pela evolução contínua da ciência.

Qual será então, a parte essencial da nossa missão, capaz de nos transformar em pessoas mais sensíveis, mais capazes, dignas de herdar o mundo e transformá-lo para melhor? É evidente que assistir às aulas, estudar muito para aprender uma profissão, é parte importante da nossa missão; mas ainda é muito pouco. É insuficiente.

O essencial é sermos capazes de compreender, em profundidade, os valores eternos que não sofrerão modificação nos próximos 50 anos ou 50 séculos. Valores esses que governam a nossa escola e que deverão também governar as nossa vidas enquanto profissionais.

SABER, ÉTICA, TRABALHO e PROGRESSO.

SABER, vem do latim (supere, ter gosto) e, originalmente, o seu significado estava ligado ao paladar.

O significado do saber ampliou-se e já não basta apenas o paladar para se saber sobre ciências, as emoções e a vida. É preciso colocarmo-nos por inteiro na busca do saber de corpo e alma.

O saber é o sal do espírito, o gozo da alma, a consciência que o homem tem do mundo que o cerca e das diversas teorias criadas para explicar os mistérios que nos envolvem.

O saber é a luz que nos permite enxergar a estrada.

O homem cria o saber e este transforma o homem, propondo-lhe novos desafios.

Na nossa vida, temos duas escolhas em relação ao saber. A primeira é apaixonar-se por ele, ser capaz de conviver com as suas dúvidas pessoais e fazer sempre mais perguntas. Se for esta a nossa escolha, nós viveremos as alegrias e os conflitos da eterna busca, e seremos seres com luz própria, capazes de mostrar novos caminhos. A segunda escolha é ter uma fraca relação com algum saber. Neste caso deveremos conformarmo-nos em caminhar sem rumo ou seguir o caminho que alguém eventualmente nos indicou.

A revista TER nº13 exprime, de certa forma um exemplo disto.

ÉTICA é o estudo dos juízos que fazemos sobre a conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal. Com tais juízos tomamos consciência do bem ou do mal que resultam das nossas ações em relação a nós mesmos e/ou aos nossos semelhantes.

É incrível como em todas as nossas ações estamos sempre a praticar o bem ou o mal.

Das ações mais simples, como fumar um cigarro, fazer exercício físico, comer ou beber em demasia ou na quantidade adequada, até às atividades mais complexas, como estabelecer uma relação afetiva, exercer uma atividade profissional ou atuar como líder político, estamos sempre a praticar o bem ou o mal, para nós ou para os outros.

É preciso ter consciência ética de cada um dos nossos atos, buscar a própria felicidade, respeitando sempre a dos outros, ter virtudes, ter moral, eleger o bem como o valor a ser perseguido, em cada uma das nossa ações.

O indivíduo ético não quer gozo nem riqueza a custo da infelicidade dos seus semelhantes.

Toda a conquista humana sem ética tem o gosto amargo da ausência de mérito, do vazio de um mundo sem valor, construído com os tijolos da mentira, da pequenez, do desamor e da miséria.

Ser ético é a condição sem a qual ninguém pode alcançar a grandeza, o saber, o progresso e, principalmente a felicidade.

Creio que o mais antigo e importante preceito ético seja “amar o próximo como a si mesmo”. Da mesma forma, acho que o tema da revista TER nº 9 é um pequeno exemplo de ética, assim como o progresso e a qualidade de vida de um país tem estreita relação com o padrão ético dos seus governantes. Nós somos os maiores governantes da nossa vida. Daí que a nossa felicidade tenha íntima relação com a nossa conduta ética.

TRABALHO pode ser entendido de duas formas distintas. Se ficarmos com o radical grego ergon, devemos entender o trabalho como a aplicação das forças e faculdades humanas ( razão, sentimento, vontade), para alcançar determinado objetivo.

Devemos ter em atenção que não estamos a trabalhar plenamente, se antes não escolhermos o objetivo a ser atingido e se não colocarmos nesse trabalho todas as nossas faculdades, do sentir ao fazer.

O verdadeiro trabalho não se faz só com as mãos, mas também com a razão e o coração.

O trabalho é mais que simples praxis.

Há também uma origem para a palavra trabalho, que vem do latim vulgar (tripaliase), que significa martirizar com o tripalium (instrumento de tortura). De facto, o trabalho escravo, o trabalho sem objetivo, o trabalho de um homem que não escolheu fazê-lo, tudo isso, pode ser uma tortura ou um martírio.

O nosso trabalho deve ser sempre ergon, do grego, força viva que transforma a natureza, a sociedade e, principalmente quem o executa. “Ganharás o pão com o suor do teu rosto”’ mas na verdade ganharás muito mais que o pão; ganharás dignidade e respeito por ti mesmo.

Estudar, preparar-se é uma das muitas formas de trabalhar - nada melhor do que o exemplo da revista TER no 2.

 PROGRESSO é o movimento , marcha para a frente, avanço, evolução, melhoria.

O nosso progresso e o progresso da nossa comunidade são indissociáveis. O progresso acontece com a acumulação de aquisições materiais e conhecimentos, objetivos capazes de transformar a vida social e de lhe conferir um maior significado.

O progresso também pode ser entendido como civilização, desenvolvimento. O nosso progresso, o nosso caminhar pela vida, criará o progresso do nosso país. Se cada um de nós fizer a sua parte (seu progresso pessoal), o progresso de todos será muito mais fácil, ajudando os nossos colegas a progredir, pois ao fazê-lo estamos a progredir juntos.

Por mais difícil que seja a situação momentânea do país, jamais nos curvaremos, temos que lutar sempre, com sabedoria, ética e trabalho pelo progresso comum.

Entendo que o progresso está bem ilustrado na revista TER nº4. Quando pudermos ver os homens e as mulheres a respeitar a natureza e os seus semelhantes, criando progresso pelo seu trabalho, estaremos em posição de afirmar que estamos a cumprir a nossa missão imaterial.

Espero ter contribuído para a construção de uma visão mais clara do invisível que nos conduz.

                                                                   

                                                                                         João Luís de Matos Nogueira,

                                                                                             Diretor Geral da EPATV

                                                                                       (Director General of the EPATV)

Ter nº14

 

 

 

 

 

 

 

Ter nº13

 

 

 

 

 

Ter nº09

 

 

 

 

 

Ter nº2

Ter nº04